abril 03, 2010

Acontece

Cinza. Assim começou seu primeiro dia de férias! Pesadas nuvens cobriam o céu aquela manhã e era impossivel acreditar em qualquer futuro seco. A indecisão! Seria esse início de maneira tão parada e fechada? Um dia todo dentro de casa? Preferiu se lançar na possibilidade ínfima.

Uma roupa leve. Tênis. Quando a 10m de casa, descobriu não ser um bom dia para probabilidades tão baixas. Desabou o céu! De quando em quando, clarões iluminavam fracamente a manhã cinzenta. Já ensopado, retornou ao lar, era hora de pensar em outra solução para salvar seu dia.

Após um banho quente, percebeu que a chuva havia parado. Maldito momento para não se ter um carro! Arriscaria uma segunda vez. Vestiu-se mais coberto e seu companheiro guarda-chuva o acompanharia. Apressou-se em sair de casa, caminhava rápido. Chegaria ao ponto de ônibus antes de qualquer surpresa desagradável? Fez! Ali estava ele, num lugar coberto, seco, assistindo, seguro, a falta de sorte de outras pessoas.

Passaram-se 30 minutos de chuva. O coletivo já estava atrasado. Ali de pé, assistiu ao espetáculo da natureza. Caira um raio nas proximidades, um clarão indicava isso, seguido rapidamente por um barulho ensurdecedor. Nunca imaginou que esse tipo de coisa acontecesse por ali, no centro da cidade. A curiosidade começou a consumi-lo. Abriu o guarda-chuva e atrasou um pouco mais o início do seu dia. Percebeu a movimentação de uma ambulância. Foi então que chegou ao local.

Uma árvore destruída. Ao lado, estava um corpo carbonizado. Do outro lado da rua, uma pequena multidão já se formava para apreciar. Juntou-se a ela. O socorro terminou seu serviço e partiu. Os espectadores se dispersaram. Ele ficou. Aproximou-se então da árvore e, ali no chão, escondido em meio aos pedaços de carvão, avistou algo brilhante. Uma moeda. Parecia ser antiga. Guardou-a no bolso e decidiu retomar seus planos.

De volta ao ponto, seu ônibus chegou. Embarcou. Alguns minutos de trânsito pesado. Chegou finalmente ao seu destino. Pensou na vítima daquele raio. Seria seu primeiro dia de férias?

Seguiu seu caminho. Cinema. Livraria. Café. Ponto de ônibus. E rumou de volta para casa.
No balançar da viagem, lembrou-se da moeda. Tirou-a do bolso, não era antiga, estava apenas suja. Não passava de 50 centavos. Riu para si e guardou-a novamente. Parece que tivera sorte com ela, reconheceu que não muita. Pelo menos, seu dia teve algum valor!

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