abril 27, 2010

Um novo começo

Uma noite fria que os envolvia. Palavras ditas. Imagens estilhaçadas. Um olhando para o outro. A nítida visão de um estranho. Várias mentiras. Pouca esperança.

O ar transportava aquele sentimento e logo os pulmões se encheram dele. A esperança deu seu último grito desesperado. Vocábulos proferidos. Incoerência transmitida. O sopro frio da decepção. E desejou o desespero. Não para si, o seu já era suficiente. Proferiu palavras distorcidas, mas não mais do que aquelas que escutou.

Caminhos diferentes. Sentimentos adulterados. Passos firmes. Olhos sem brilho. Corações dilacerados. E restou apenas a noite.

abril 21, 2010

Simples Amor

Os dois estavam deitados lado a lado. Ela dormia enquanto ele tentava fugir dos pensamentos que o atormentavam. A claridade de início de dia. Ele sentou-se na cama, olhando para a parceira. Fora uma noite maravilhosa, lembraria-se dela por algum tempo ou por apenas até a próxima. Levantou-se lentamente para não acordá-la. Sentou-se numa cadeira que havia perto de uma mesa. Escreveu algumas palavras. Arrependeu-se. Com algumas rasuras e umidade, ficou pronta a carta de despedida. Colocou-a na cama, vestiu-se. Um beijo sincero. Antes de sair, deixou algum dinheiro sobre a mesa. E, cuidadosamente, abandonou-a.

Fez o caminho de volta para casa. Pensou nela, pensou em si, pensou em nada. Uma noite para recordar! Não ligou o rádio, apenas olhava inquieto para o celular, temia receber uma ligação naquele momento. Andou algumas ruas a mais do que deveria. Voltou e parou, na frente de sua casa. Nada rebuscado ou muito deprimente. Estacionou. Um novo dia!

Chegou ainda em tempo de ver os filhos antes de irem para a escola. A mulher preparava o café enquanto interessava-se em saber sobre a longa jornada de trabalho do marido. Ele falou sobre documentos e memorandos. Ela olhava com piedade. Não era um bom mentiroso, não depois de tantos anos. Serviu-o, beijou-lhe e foi terminar de se arrumar. Já pronta, ele deitado na cama, cansado. Sentou-se ao lado e beijou-o novamente. Saiu.

Um sorriso sincero. Ele a tinha escolhido aquela manhã.



"If I had a heart, I could love you
If I had a voice, I would sing
After the night, when I wake up
I'll see what tomorrow brings"

abril 13, 2010

Cinética

Saiu de casa disposto a resolver a situação. Passadas largas e fortes marcavam sua marcha rumo ao paraíso iminente de uma resolução. O sol de início de tarde estava escaldante e, juntamente com um clima seco, foi responsável por uma leve tontura. Mas ele estava convicto do que faria! Chegaria lá, falaria tudo que tinha ficado desde aquele último encontro.

Tudo estava claro e, agora, tornava-se quente. Ficou difícil de se pensar. Os olhos não respeitavam os limites da realidade. Foi melhor sentar-se na cadeira de uma sorveteria. Um sorvete cairia bem!

Sentado, direcionava seu olhar para a rua. Observava cada pessoa que passava por ali. Em todas, via o motivo da sua falta de solução! Realmente estava delirando! Talvez fosse hora de procurar um médico para tratar disso, mas não conhecia um especialista em coração (...) não no seu (...) Parar de pensar era a melhor medida a se tomar.


- Um sorvete de limão, por favor! - fez seu pedido

E logo a jovem garçonete anotou e foi providenciar o pedido. Deixou o jovem lá sentado. Do balcão, um leve sorriso e olhos brilhantes. Preferiu não entender o porquê dos 10 minutos entre sua pergunta e a resposta do moço!

abril 12, 2010

Guerra

Um sopro de Morpheus o fez pestanejar pela primeira vez, a partir de então, o sono tomou forma e o acompanhou de perto pelo resto daquela noite. Bocejos! Piscadas profundas, que pelo tempo de duração, mais pareciam leves cochilos. Estava perdendo a batalha, logo cairia derrotado na cama e desmaiaria. Depois de tanto tempo sem usufruir de uma noite de sono, não queria se render agora, não sem lutar bravamente!

Leves tapinhas no rosto. Um copo de água gelada enquanto esperava outra ferver para fazer o café. Comeu alguns biscoitinhos nesse meio tempo. Tão logo pôde sentir o aroma quente e forte de sua bebida a ser preparada, percebeu o sabor amargo do futuro próximo.


"Wake up and smell the coffee!"

abril 03, 2010

Acontece

Cinza. Assim começou seu primeiro dia de férias! Pesadas nuvens cobriam o céu aquela manhã e era impossivel acreditar em qualquer futuro seco. A indecisão! Seria esse início de maneira tão parada e fechada? Um dia todo dentro de casa? Preferiu se lançar na possibilidade ínfima.

Uma roupa leve. Tênis. Quando a 10m de casa, descobriu não ser um bom dia para probabilidades tão baixas. Desabou o céu! De quando em quando, clarões iluminavam fracamente a manhã cinzenta. Já ensopado, retornou ao lar, era hora de pensar em outra solução para salvar seu dia.

Após um banho quente, percebeu que a chuva havia parado. Maldito momento para não se ter um carro! Arriscaria uma segunda vez. Vestiu-se mais coberto e seu companheiro guarda-chuva o acompanharia. Apressou-se em sair de casa, caminhava rápido. Chegaria ao ponto de ônibus antes de qualquer surpresa desagradável? Fez! Ali estava ele, num lugar coberto, seco, assistindo, seguro, a falta de sorte de outras pessoas.

Passaram-se 30 minutos de chuva. O coletivo já estava atrasado. Ali de pé, assistiu ao espetáculo da natureza. Caira um raio nas proximidades, um clarão indicava isso, seguido rapidamente por um barulho ensurdecedor. Nunca imaginou que esse tipo de coisa acontecesse por ali, no centro da cidade. A curiosidade começou a consumi-lo. Abriu o guarda-chuva e atrasou um pouco mais o início do seu dia. Percebeu a movimentação de uma ambulância. Foi então que chegou ao local.

Uma árvore destruída. Ao lado, estava um corpo carbonizado. Do outro lado da rua, uma pequena multidão já se formava para apreciar. Juntou-se a ela. O socorro terminou seu serviço e partiu. Os espectadores se dispersaram. Ele ficou. Aproximou-se então da árvore e, ali no chão, escondido em meio aos pedaços de carvão, avistou algo brilhante. Uma moeda. Parecia ser antiga. Guardou-a no bolso e decidiu retomar seus planos.

De volta ao ponto, seu ônibus chegou. Embarcou. Alguns minutos de trânsito pesado. Chegou finalmente ao seu destino. Pensou na vítima daquele raio. Seria seu primeiro dia de férias?

Seguiu seu caminho. Cinema. Livraria. Café. Ponto de ônibus. E rumou de volta para casa.
No balançar da viagem, lembrou-se da moeda. Tirou-a do bolso, não era antiga, estava apenas suja. Não passava de 50 centavos. Riu para si e guardou-a novamente. Parece que tivera sorte com ela, reconheceu que não muita. Pelo menos, seu dia teve algum valor!