março 01, 2010

O Sono

O sol escaldante. A brisa fria da noite. O silêncio que cultivava em todos os momento.

Era uma noite sem estrelas. O céu sem brilho ou cobertura. Onde estaria a lua? Teria tirado a noite de folga? Da janela do quarto avistava o outro lado da rua, o céu e era possível espionar a sala dos vizinhos de frente. Pena não ter um binóculo! Acho que o meu sono deva ter convidado a lua para um jantar! Espanto! Da onde surgira aquele gato? Lá estava ele, sentado e imóvel. Aqueles olhos amarelos. Profundos. Vazios.Pernas na cama. Patas na calçada. O dedo contra o vidro fazendo os mesmo movimentos sinuosos do outro lado. O silêncio absoluto. Não mais o bater de asas ou o ranger da madeira. Agora só há silêncio. Até mesmo o vento parara para apreciar o momento. Duas figuras petrificadas. Agora a estática. Nenhum movimento. A árvore da frente, a última brisa a soprar, o verde do fruto que se desprende, o som oco inaudível. Então tudo se estilhaça. E, por fim, restam apenas dois cacos.Estaria ele em um lugar novo? Seria aquilo o que ele tanto temia? O que era aquele gato?

Perguntas... nenhuma resposta audível. E do amarelo tudo se brota. Medo. Angustia. Solidão. Carinho. Sentia tudo, era capaz de sentir o silencio. Os olhos que agora o tocavam. Seriam eles?
E os pedaços se colam. O amarelo se perde, o gato que se foi! Tudo o que perdeu. Os olhos marejados, os punhos fechados, a boca aberta, o silêncio. Os olhos se fecham. O pequeno ribeirão avançando sobre a terra seca.

A luz seguiu os passos do som!
(...)

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