Estava eu em uma caminhada noturna. Ruas vazias. Noite nublada. Silêncio. Ao longe, a maravilha de um brilho. Aproximei-me. Terreno baldio.
Para minha surpresa, o único ruído era o de um leve crepitar, do fogo a consumir folhas secas, pedaços de madeira e de papel. O encanto das chamas chamou-me mais perto. Sentia o calor. Suava. Com um pequeno graveto, aventurei-me a bisbilhotar as cinzas periféricas.
Sentado ao chão com rosto e roupas encharcados de suor, percebi que a fogueira agora diminuia. O fogo tinha consumido tudo, deixando para trás apenas as cinzas que me tomavam o tempo. Em meio a elas, alguns poucos focos de calor mais intenso. Um mais próximo cativou-me, não poderia deixar que se perdesse.
Do bolso retirei um bloco de notas que fora meu companheiro de longa data. Sabia mais sobre mim do que qualquer outro. Arranquei-lhe a capa e, pacientemente, alimentei a pequena brasa. Ganhava um pouco de força, mas logo definhava. A primeira folha. Segunda. Terceira. Retrato de uma antiga amiga. Quarta. Quinta. Pedaço de jornal. E assim por diante.
Em poucos minutos, cheguei à última folha, estava em branco como várias outras antes dessa. O fim do bloco. Ali tinham-se ido lembranças de uma vida e os frutos de experiências. E logo aquela pequena brasa se apagou para sempre sobre as cinzas da minha história.
Queimei aquilo que demorei tanto para construir em troca de um monte de cinzas. Coletei os restos possíveis e fui-me dali, chateado. Guardei dentro de um pedaço de pano que salvou-se das chamas, coloquei no bolso e corri para casa, fugindo da chuva que chegava. Aquele pequeno embrulho tornou-se um adorno na minha mesa, minhas lembranças.
Essas foram as primeiras cinzas da minha vida!
Para minha surpresa, o único ruído era o de um leve crepitar, do fogo a consumir folhas secas, pedaços de madeira e de papel. O encanto das chamas chamou-me mais perto. Sentia o calor. Suava. Com um pequeno graveto, aventurei-me a bisbilhotar as cinzas periféricas.
Sentado ao chão com rosto e roupas encharcados de suor, percebi que a fogueira agora diminuia. O fogo tinha consumido tudo, deixando para trás apenas as cinzas que me tomavam o tempo. Em meio a elas, alguns poucos focos de calor mais intenso. Um mais próximo cativou-me, não poderia deixar que se perdesse.
Do bolso retirei um bloco de notas que fora meu companheiro de longa data. Sabia mais sobre mim do que qualquer outro. Arranquei-lhe a capa e, pacientemente, alimentei a pequena brasa. Ganhava um pouco de força, mas logo definhava. A primeira folha. Segunda. Terceira. Retrato de uma antiga amiga. Quarta. Quinta. Pedaço de jornal. E assim por diante.
Em poucos minutos, cheguei à última folha, estava em branco como várias outras antes dessa. O fim do bloco. Ali tinham-se ido lembranças de uma vida e os frutos de experiências. E logo aquela pequena brasa se apagou para sempre sobre as cinzas da minha história.
Queimei aquilo que demorei tanto para construir em troca de um monte de cinzas. Coletei os restos possíveis e fui-me dali, chateado. Guardei dentro de um pedaço de pano que salvou-se das chamas, coloquei no bolso e corri para casa, fugindo da chuva que chegava. Aquele pequeno embrulho tornou-se um adorno na minha mesa, minhas lembranças.
Essas foram as primeiras cinzas da minha vida!

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